Setembro tem sempre a mesma coreografia. Uma semana antes do primeiro dia de aulas, alguém repara que a mochila do ano passado tem um rasgo, que as sapatilhas já não servem e que a lista de material está dentro de um caderno que ninguém sabe onde está.
Segue-se uma tarde inteira de loja em loja, com filas, calor e crianças cansadas. E, quase sempre, o resultado é comprar a mais em algumas coisas e esquecer completamente outras.
Dá para fazer isto de forma bem mais calma. O que se segue é uma ordem de trabalhos que funciona, com o que interessa mesmo em cada categoria. Para quem prefere resolver sem sair de casa, o catálogo online da Auchan cobre material escolar, mochilas, roupa e ainda a parte da alimentação.

Primeiro passo: não comprar nada
Parece contraditório, mas é o passo que mais dinheiro poupa.
Antes de escrever qualquer lista, junte tudo o que existe em casa numa mesa. Estojos, canetas, lápis, réguas, cadernos começados, tesouras, colas. Em quase todas as casas aparece material suficiente para dois ou três meses de aulas, espalhado por gavetas e mochilas do ano anterior.
Muitos cadernos ficam por acabar. Um caderno usado até meio serve perfeitamente para apontamentos ou rascunhos, mesmo que a criança prefira estrear tudo. Vale a pena separar o que dá para reaproveitar antes de decidir o que falta.
Só depois disto se escreve a lista. Habitualmente fica com metade do tamanho que teria.
A mochila: onde não se deve poupar
De todos os artigos escolares, a mochila é o que tem mais impacto no corpo da criança, porque é carregada todos os dias durante um ano inteiro.
Três coisas a verificar antes de comprar:
- Alças largas e almofadadas. Alças finas concentram todo o peso num ponto do ombro.
- Costas com apoio. Uma zona acolchoada e minimamente estruturada distribui melhor a carga do que um pano simples.
- Tamanho proporcional. A mochila não deve ultrapassar a largura dos ombros nem descer abaixo da zona lombar.
Sobre o peso, a referência mais usada é que a mochila carregada não ultrapasse cerca de dez por cento do peso da criança. Na prática, poucas cumprem isso, mas serve como alerta: se a mochila obriga a criança a inclinar-se para a frente ao andar, está pesada de mais.
As mochilas com rodas são uma boa solução em escolas planas e sem muitas escadas. Se houver escadarias pelo meio, acabam por ser carregadas na mão, o que é pior do que uma mochila normal.
Material escolar: o essencial e o resto
As listas da escola costumam ser fiáveis, mas há sempre uma zona cinzenta de coisas que se compram e nunca saem do estojo.
Vale sempre a pena: lápis e canetas de qualidade razoável, um estojo resistente com fecho que dure o ano, cadernos com a pauta certa para o ano de escolaridade, uma tesoura adequada à idade e marcadores para sublinhar.
Costuma ficar por usar: conjuntos enormes de canetas de feltro em cores repetidas, réguas de tamanhos que não cabem no estojo, e material específico de disciplinas que só arranca no segundo período. Este último pode esperar tranquilamente por outubro.
Uma dica que evita metade das perdas: marcar o nome em tudo. Estojos, réguas, garrafas, casacos. O balcão dos perdidos e achados de qualquer escola em novembro é uma coleção impressionante de material sem dono.
Lancheira, garrafa e o lanche de meio da manhã
Esta é a categoria que costuma ficar para o fim e que na verdade se usa todos os dias.
Uma garrafa reutilizável resolve a hidratação e evita comprar bebidas fora. Convém escolher uma que a criança consiga abrir sozinha, o que exclui várias tampas engenhosas que os adultos acham práticas.
Para o lanche, uma lancheira isotérmica faz diferença real nos meses mais quentes de setembro e junho. E vale a pena escolher recipientes que fechem bem, porque um iogurte aberto dentro da mochila estraga cadernos e o dia inteiro.
Quanto ao conteúdo, funciona melhor variar durante a semana do que preparar sempre o mesmo. Fruta, pão, laticínios e frutos secos cobrem quase todas as combinações sem grande esforço.
Roupa e calçado: menos peças, melhores
As crianças crescem em alturas imprevisíveis, o que torna qualquer plano de guarda-roupa relativamente arriscado.
A abordagem mais eficiente é comprar poucas peças de boa qualidade para o que se usa todos os dias, e ser mais contido no resto. Sapatilhas confortáveis, duas ou três peças de baixo resistentes e um casaco decente cobrem a maior parte do trimestre.
No calçado, meça o pé em vez de assumir o número do ano passado. Um par apertado gasta-se mais depressa e é usado com má vontade, o que acaba por sair mais caro.
E deixe as compras de inverno para outubro. Comprar um casaco pesado em agosto é adivinhar um tamanho com dois meses de antecedência, o que raramente corre bem.
O espaço de estudo em casa
Não é preciso um escritório. É preciso um sítio fixo, o que é diferente.
Um lugar que seja sempre o mesmo ajuda a criar hábito, mesmo que seja um canto da sala. Estudar hoje na cama e amanhã no sofá torna o arranque mais difícil de cada vez.
Três pormenores fazem diferença. A altura da cadeira, para que os pés assentem no chão e os cotovelos fiquem próximos da altura da mesa. A luz, de preferência natural durante o dia e um candeeiro do lado oposto à mão que escreve, para não fazer sombra. E a arrumação, com o material à mão para não haver desculpa para levantar a cada cinco minutos.
Voltar à rotina antes do primeiro dia
Este é o passo que quase toda a gente salta e que mais custa depois.
Em agosto, os horários de deitar e levantar escorregam facilmente uma ou duas horas. Se a mudança acontecer toda de uma vez na véspera do primeiro dia, a primeira semana de aulas será penosa para todos.
A forma menos dolorosa é antecipar. Uma semana ou duas antes, ir puxando a hora de deitar quinze minutos por dia até chegar ao horário escolar. E abrir as janelas logo de manhã, porque a luz é o que mais rapidamente acerta o relógio biológico.
Vale também para os adultos, já convém dizer.
Resolver online e evitar as filas
A última semana de agosto e a primeira de setembro são, previsivelmente, as mais cheias do ano nas secções de material escolar.
Fazer a encomenda online permite comparar com calma, verificar a lista da escola linha a linha e não decidir com uma criança cansada a puxar pela manga. A Auchan tem um catálogo alargado que junta material escolar, mochilas, roupa, calçado e alimentação no mesmo sítio, o que evita andar de loja em loja.

E deixe de fora o que pode esperar. Nem tudo tem de estar comprado no dia um.
Em resumo
Comece por juntar o que já existe em casa. Invista na mochila e no calçado, seja contido no resto. Marque o nome em tudo. Prepare a lancheira e a garrafa desde o primeiro dia. Defina um sítio fixo para estudar. E comece a acertar os horários de sono uma semana antes.
Feito assim, o regresso às aulas deixa de ser uma tarde caótica e passa a ser uma série de pequenas decisões, tomadas com tempo. Que é mais ou menos a diferença entre chegar a setembro cansado ou chegar preparado.



